Sem horas e sem dores,

sejam bem vindos.

Cega


Chorei.
Ouvi.
Chorei.


Qual o objetivo daquilo tudo? Responda-me Universo.
Aqueles olhos azuis, levemente fechados, sobrancelhas levemente levantadas... e nada.

Avistei.

Era ela. Sentada. Não via nada. Seguia cega e seu cão uivava.

Viva!
O sorriso aquele parque iluminava. Sem ver nada.

Ela falava,
O cão obedecia de forma tal que fazia mais do que ela esperava.

Seus olhos brilhavam, e ela nada via. Brilho cego e desconhecido.
Lindo brilho.
Linda.
Era ela. Bela.

Ela sentia. Ela sentia sua cegueira. Ela sentia a diferença.
Cegueira mesmo de nascença.

Seu sorriso iluminava. Seus olhos levemente fechados não focavam.
Mas chorava.
Chorava por não ver.
Não via.
Não via seu choro.
Não vendo, chorava.

Chorei.
Ouvi de longe as lágrimas rompendo o ar e colidindo ao chão.
Chorei.



......................................... Poesia Abstrata. by Otavio Alcantara.

Ocupado


Sempre há uma expressão que te define, mesmo que mude
a expressão, mesmo que mude
você,
incorporas os conceitos todos em um corpo de mulher.

Fatorados, teus sentimentos pouco se enxergam entre si,
perdem-se no universo paralelo de tuas curvas
acomodando-se em vértices imaginários, falhos.

Ora, as decisões tomam conta da tua ciência e discutem:
Quem atuará agora? Quem fará os movimentos?

Tudo se encontra no teu ocupado corpo, menos você.

Termina, por fim, essa miscelânea de sentimentos e decisões
que fazem de você você.

Onde foi parar o conteúdo?'


Jaz.
Sete palmos abaixo do chão,
ou
sete palmos acima do céu;
mas jaz.

Não se ouve mais coloquiais conversas,
mal se ouve Vinicius em bares "modernos",

digo triste: -meu lamento é ser artista
se grande parte do mundo sequer entende ou aprecia.

Os espaços se empilham no vazio, o silêncio se torna mais recomendável a alguns.

Nosso idioma solicita por obséquio o respeito. Ao menos.

...

"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia. Vinicius de Moraes."

As verdades que ninguém consegue dizer

Quem nunca fez?

- Eu batuco nos cantos ouvindo música ao fone.
- Eu canto alto quando estou sozinho arrumando a casa.

Há momentos que a solidão é essencial.

- Eu aprecio paisagens sozinho
- Eu componho meus amores, desenho meu carinho.

Acredito na pré-histórica vontade massiva de se mostrar.

- Eu choro sozinho, eu falo sozinho
- Eu fantasio meu amor platônico; dou roteiro, cenário e um toque cômico.

Procuro sempre pensar que a vida é uma só... UMA SÓ. Se não fazemos valer a pena a vida, como escrevemos o final?

- Eu sorrio por dentro, eu fico feliz sem ninguém saber.

Quem nunca recebeu um sorriso, adorou aquele momento, e quis se fazer de difícil? :p
ou...
Quem nunca deixou de viver algo apenas por que não sorriu?


- Eu faço meu sonho acontecer, construo minha vida dentro de uma caixa; a levo para onde eu for porque sem ela, esse padrão clichê de se viver nos leva da vida o verdadeiro amor.

Você nunca pensou que poderiam ser melhorer os seus momentos se você mudasse apenas uma atitude sua?
Sorria quando tiver vontade, ou cante quando tiver vontade, a opnião dos outros realmente não interessa.
O que importa não é a imagem que os outros tem de você, mas sim a imagem que VOCÊ tem de você.
Viva seu amor, declare seu amor, não perca isso pelo padrão clichê idiota que o mundo impôs.


...

Caro leitor, peço que tome o primeiro passo pela quebra desse clichê e escreva no comentário uma coisa que você nunca teve coragem de demonstrar, como as coisas que escrevi acima.

Diga a si mesmo...
- Eu tive coragem de fazer isso. Eu vivi.

Relembrando...

Como algumas pessoas começaram a ler recentemente o blog, tendem a não ler os mais antigos, e sim os mais recentes. Por isso, trago aqui alguns bons textos antigos que recomendo:

O velho e a música

Gestos delicados (Homenagem Para Naty!!!)

IntercalandoOoOo...

LÁ de CimA!

O artista

Desbotando máscaras maquiadas

Quem disse que tudo tem que fazer sentido?

É só clicar no nome! ;)

Apreciem, e comentem! ObrigadoOoOo.

Eu, o roteirista



Antônimo meu: "Meu querido blog"

O meu blog -E apenas falo pelo meu- não é um diário, não é uma biografia; O meu blog é uma exploração pessoal da literatura, de uma visão roteirística.

Não me denomino poeta, pois poeta escreve o que sente, sempre.
Não me denomino escritor, pois escritor que é escritor é um deus literário.

Me denomino roteirista.
...
Quando eu escrevo, a primeira pedra, a pedra fundamental da construção do meu texto é, obviamente, algo que estou sentindo.
O interessante é o próximo passo...
Achei o sentimento? Ótimo. Agora, como roteirista que sou, incorporo uma personagem que me trará o desenvolvimento do texto...

Por que isso?
A personagem, diferente de mim, tem a abrangência de enaltecer o sentimento a um nível que eu -roteirista- não tenho, pois não estou realmente sentindo. Ela tem a liberdade de criar seus coadjuvantes, seus figurantes, seu cenário e seu figurino. Ela pensa por si.

Eu, roteirista, escrevo porque gosto.
O mundo não nos dá a liberdade da fantasia, e por isso os artistas da vida mostram suas fantasias em forma de música, de teatro, de expressões... Eu, em forma de personagens.

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Observe,
no texto Sentimentos E's, interpreto um homem sentado na sombra, observando a paisagem e refletindo sobre um amor passado.
No texto Meu nome é Zé, tenho 25 anos e quero morrer., interpreto um mendigo.
No texto Desbotando máscaras maquiadas, interpreto um palhaço.
No texto O velho e a música, interpreto um observador.

Acredito ter provado meu ponto.
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Aqui expresso minha revolta:
Algumas pessoas lêem os textos e comentam como se estivessem me criticando. Obviamente, não enxergam que, no texto, não sou eu quem se encontra relatado, e sim a personagem.
Se for dar uma opnião, seja crítica positiva ou negativa, ou apenas um elogio, que assim o faça, à vontade; mas não estrague o texto com opniões grosseiras desprovidas de conhecimento literário ou sarcasmo idiota (desculpem-me a expressão), só tem a prejudicar.

Aos que compreenderam, está declarado meu puro agradecimento. Obrigado.

Sentimentos E's.

Se hoje estivesse chovendo,
completaria o fator que o valoriza, o momento
eu sentado na sombra, debaixo de uns galhos, olhando a terra molhar.



E, fatoriando sentimentos vis, dar-se-á teu beijo pronto a me consolar?

E, quando penso no que passo, piso forte no meu passo para não te atropelar.

E, consolando teus momentos mil, no silêncio que o passado rugiu a minha voz não ecoou demais.

E, abraçando meu alento, pulo sobre os céus e o vento pra poder te acompanhar.

...

E, meus versos vão se escrevendo, possuindo a alma do tempo preso em sentimentos E's.


Mas hoje está fazendo sol.

........................................: OnDe mE aChA! :........................................

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