Sem horas e sem dores,

sejam bem vindos.

Libertação


E o que mais se pode dizer sobre algo?
Considerando o ambiente afetado pelos gases mal-encarados
Tempo neblinado, desconcertado, esvaziado
Não tem ninguém na rua. Tudo calado.

Num espaço vigiado por seres perturbados
Cercado por muralhas e grades assustadoras
Tendo como parceiro um louco de branco e braços amarrados
Nasce o medo de ser o que sou. Atado.

Por entre milhares de neurônios afetados
Crio um sonho divino de libertação
Imagino milhares de seres loucos como todos
Trabalhando e maquinando nossa poderosa rebelião

Não! Tenho que sair daqui!
Esse lugar destrói meu quieto espírito
Demasiado trêmulo e afastado de tudo
Fecho os olhos e por segundos vivo o desdito.

3 Comentários:

Luiz Veloso disse...

não importa o que nos digam, o que nos imponham, como nos embriaguem...

nosso instinto é caçar a liberdade!!

ainda que uns, infelizmente, não saibam que tem esse direito de seguir o instinto.

Genial.

Nine disse...

Atados, neurônios direcionados.
E herdamos a alienação nos genes.
Os espertos, desfazem-se dos dogmas.
E isso, é meio que sentença de morte, autoaplicada.
Aqui, ninguém aceita a liberdade.
triste.

Rayana Moura disse...

É, realmente, impressionante a quantidade de pessoas que se mantêm aprisionadas em si mesmas.
Texto sensacional...
e o desfecho foi perfeito:
"Demasiado trêmulo e afastado de tudo
Fecho os olhos e por segundos vivo o desdito."

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