Sem horas e sem dores,

sejam bem vindos.

Cega


Chorei.
Ouvi.
Chorei.


Qual o objetivo daquilo tudo? Responda-me Universo.
Aqueles olhos azuis, levemente fechados, sobrancelhas levemente levantadas... e nada.

Avistei.

Era ela. Sentada. Não via nada. Seguia cega e seu cão uivava.

Viva!
O sorriso aquele parque iluminava. Sem ver nada.

Ela falava,
O cão obedecia de forma tal que fazia mais do que ela esperava.

Seus olhos brilhavam, e ela nada via. Brilho cego e desconhecido.
Lindo brilho.
Linda.
Era ela. Bela.

Ela sentia. Ela sentia sua cegueira. Ela sentia a diferença.
Cegueira mesmo de nascença.

Seu sorriso iluminava. Seus olhos levemente fechados não focavam.
Mas chorava.
Chorava por não ver.
Não via.
Não via seu choro.
Não vendo, chorava.

Chorei.
Ouvi de longe as lágrimas rompendo o ar e colidindo ao chão.
Chorei.



......................................... Poesia Abstrata. by Otavio Alcantara.

1 Comentários:

Ediane disse...

Caramba Tavinho, simplesmente lindo! Parabéns!

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